E ela disse: Eu já estou morta.
Mas ela não cheirava a decomposição, cheirava como um perfume barato de rosas. E as rosas não me parecem decompostas, porém falsas... como rosas de plástico que se pode encontrar em qualquer loja de esquina tão falsas quanto cada palavra que saía da boca dela.
A princípio eu não entendia como alguém com tão perfeito semblante, tão angelical, pudesse cuspir palavras tão grotescas. Só depois entendi que a bela carcaça não lhe valia de nada quando a mente era podre.
Não a culpo. Em um mundo cuja as aparências valem mais do que meras palavras, sendo a verdade meramente tão cruel a ponto de belas faces, como a dela, serem necessárias para maquiar tanta podridão. Podridão que existe nas ruas, nas esquinas e em cada um de nós.
Nossos olhos não aguentam a realidade.
Ela era a caricatura do mundo, a tela dos nossos dias.
Bela, decadente... e morta.
