Eu poderia dizer que entrei em colapso, novamente.
Mas não diria isso, pois até meus lapsos de colapsos são previsíveis.
Dessa vez é diferente? Eu notei que aprendi, e sozinha, a manter minha sanidade. E não foi com ajuda de artifícios que corroem meu fígado e embrulham meu estômago ou com palavras (conselhos, consultas, etc), que também embrulham o estômago.
Eu aprendi que a sanidade, que é indiscutivelmente relativa, somos nós que mantemos e exatamente do jeito que queremos, que conseguimos ou que tentamos (ao menos...).
Só que tudo que um dia se mantém em outro se perde. As vezes a longo prazo, as vezes em questão de segundos e também quando você nem imagina que um dia teve. Que é o meu caso.
O alivio, a sanidade e aquele tipo de felicidade que necessitamos para nos encaixar dentro do senso comum, está na rotina, está nos nossos vícios.
Não é questão de estabilidades, e nem a rotina é tão furtiva se não estiver ligada a algum vício.
Trabalho? Música? Álcool? Drogas. Qualquer coisa. Acredito que tais vícios não surgiram para uma fuga da realidade, um ponto de escape, mas sim para manter as pessoas sãs, dentro de propósitos .. que na verdade é só um: O de não enlouquecer.
Eu ainda me questiono se seria errado "enlouquecer". Tenho boas dúvidas quanto a isso.
Seria ótimo, tirarmos todas as nossas máscaras e mostrarmos quem realmente somos... Mas na verdade, nem sequer sabemos quem realmente somos.
Se a "insanidade" não abrisse novas feridas ou mostrasse que as antigas ainda não foram cicatrizadas. Quem sabe eu poderia largar meus vícios e me aceitar como eu realmente sou. Mas isso é doentio.
Então eu ocupo minha mente com tudo que eu posso, só para não ter que pensar no "sentir" ou no simples pensar e sigo em frente.
Não por perseverança, coragem ou garra.
Não por medo.
Mas sim por tentar existir, não sobreviver, simplesmente existir.
Voltando ao Colapso.
Eu cego meus olhos e cerro minhas mãos para o colapso. Deixo a mente trabalhando e a vida em stand by
Mas quando chega o Ócio...
Como eu sinto falta de aproveitar o Ócio. De aproveitar de forma única como se tempo pertencesse só a mim e mais nada.
Mas agora, cada minuto de Ócio é tortura.
Eu não posso parar.
E que não digam que eu não tentei.
Eu sempre tento, não consigo parar.
Não é esperança, já disse.
É fadiga.
É uma insistência doentia, que bem nenhum irá trazer.
Tortura
Mas ainda há quem goste de torturas.
Há quem precise de torturas para viver.
E torturar a si mesmo para que se sinta vivo.
Décadence
sábado, 22 de dezembro de 2012
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Estabilidade, comodismo e utopia.
Eu adoraria discorrer sobre qual o significado e a real importância da estabilidade na vida do Homem, adoraria... Mas, cada vez que me pego a pensar sobre tudo que seria ou poderia tornar-se estável na vida, me deparo com a utopia. Utopia? Talvez não, talvez utopia seja um termo demasiado forte ao se tratar de estabilidade, pois a utopia ainda tem algum sentido, mesmo que inalcançável.
Agora, acredito que exista uma linha tênue entre a ganância, o comodismo e a estabilidade. Afinal de contas, a estabilidade é baseada na ganância, uma ânsia extrema de estabilizar-se tal qual o senso comum acha adequado... tentar, lutar, não esperar (ou esperar), precisar, comprar, gastar, estabilizar e enfim acomodar.
A estabilidade leva ao comodismo, até quando o comodismo não for mais compatível com os padrões exigidos... seja lá por o quê/quem.
Não me refiro apenas a estabilidade financeira, embora seja essa, a que realmente importa. Refiro-me também a estabilidade física ou mental- principalmente essa-, pois essa, que deveria ser importante, já não faz mais tanto sentido, mas, sinceramente, deveria fazer?
Particularmente, não acho errado deixarmos de alimentar nossa sanidade enquanto engordamos nossa ganância, de forma alguma! Inclusive, isso ocupa a cabeça, e ocupar a cabeça, cegar os olhos, tapar os ouvidos para todas as coisas que existem ao nosso redor, é, sem sombra de dúvidas, o truque mais inteligente que criamos.
A Estabilidade, meus amigos, é uma mentira. Vivemos e morreremos a procura de uma estabilidade sustentada pela nossa ganância e nem sequer chegaremos aos pés do que realmente precisamos para ser estáveis, já que na verdade, não precisamos de nada.
Está tudo comodo, está tudo bem.
Agora, acredito que exista uma linha tênue entre a ganância, o comodismo e a estabilidade. Afinal de contas, a estabilidade é baseada na ganância, uma ânsia extrema de estabilizar-se tal qual o senso comum acha adequado... tentar, lutar, não esperar (ou esperar), precisar, comprar, gastar, estabilizar e enfim acomodar.
A estabilidade leva ao comodismo, até quando o comodismo não for mais compatível com os padrões exigidos... seja lá por o quê/quem.
Não me refiro apenas a estabilidade financeira, embora seja essa, a que realmente importa. Refiro-me também a estabilidade física ou mental- principalmente essa-, pois essa, que deveria ser importante, já não faz mais tanto sentido, mas, sinceramente, deveria fazer?
Particularmente, não acho errado deixarmos de alimentar nossa sanidade enquanto engordamos nossa ganância, de forma alguma! Inclusive, isso ocupa a cabeça, e ocupar a cabeça, cegar os olhos, tapar os ouvidos para todas as coisas que existem ao nosso redor, é, sem sombra de dúvidas, o truque mais inteligente que criamos.
A Estabilidade, meus amigos, é uma mentira. Vivemos e morreremos a procura de uma estabilidade sustentada pela nossa ganância e nem sequer chegaremos aos pés do que realmente precisamos para ser estáveis, já que na verdade, não precisamos de nada.
Está tudo comodo, está tudo bem.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Apatia ou Ódio?
Considero a apatia, o pior dos sentimentos , se é que pode-se considerá-la um.
Garanto que o ódio, é em si, uma explosão de sentimentos e não a ausência de amor, acredito até que o ódio torna-se mais forte que o próprio amor, até certo momento.
Sabemos que a evolução do amor é simples: Paixão, torna-se amor que por fim torna-se comodismo.
Agora a evolução do ódio é vulgarmente escassa, do ódio a apatia. Quando se odeia tanto algo ou alguém, a ponto de chegar a repulsa e ao desprezo, ainda é saudável. Afinal, o ódio é sempre útil. Porém... se a repulsa vira total indiferença, torna-te a preocupaste... ou de certa forma, não o faz. Afinal, se a apatia encontrara lugar dentro do que restou de qualquer tipo de sentimento, não fará nem cócegas de preocupação.
O retorno da apatia a qualquer outra forma de sentimento é pior do que qualquer estrada sinuosa, já que a cada volta a indiferença e a falta de qualquer estimulo é indispensável. Tudo para tornar qualquer massa cefálica pensante e qualquer coração pulsante em puro pó.
Afinal de contas sendo a apatia o pior dos sentimentos, seria então algo ruim? É contraditório e até hipócrita, se a razão é evitar o sofrimento, a solidão e até a preguiça de se dar ao trabalho de sentir... não seria melhor abraçar a indiferença?
Garanto que o ódio, é em si, uma explosão de sentimentos e não a ausência de amor, acredito até que o ódio torna-se mais forte que o próprio amor, até certo momento.
Sabemos que a evolução do amor é simples: Paixão, torna-se amor que por fim torna-se comodismo.
Agora a evolução do ódio é vulgarmente escassa, do ódio a apatia. Quando se odeia tanto algo ou alguém, a ponto de chegar a repulsa e ao desprezo, ainda é saudável. Afinal, o ódio é sempre útil. Porém... se a repulsa vira total indiferença, torna-te a preocupaste... ou de certa forma, não o faz. Afinal, se a apatia encontrara lugar dentro do que restou de qualquer tipo de sentimento, não fará nem cócegas de preocupação.
O retorno da apatia a qualquer outra forma de sentimento é pior do que qualquer estrada sinuosa, já que a cada volta a indiferença e a falta de qualquer estimulo é indispensável. Tudo para tornar qualquer massa cefálica pensante e qualquer coração pulsante em puro pó.
Afinal de contas sendo a apatia o pior dos sentimentos, seria então algo ruim? É contraditório e até hipócrita, se a razão é evitar o sofrimento, a solidão e até a preguiça de se dar ao trabalho de sentir... não seria melhor abraçar a indiferença?
terça-feira, 4 de outubro de 2011
O que esperar de uma bela face?
E ela disse: Eu já estou morta.
Mas ela não cheirava a decomposição, cheirava como um perfume barato de rosas. E as rosas não me parecem decompostas, porém falsas... como rosas de plástico que se pode encontrar em qualquer loja de esquina tão falsas quanto cada palavra que saía da boca dela.
A princípio eu não entendia como alguém com tão perfeito semblante, tão angelical, pudesse cuspir palavras tão grotescas. Só depois entendi que a bela carcaça não lhe valia de nada quando a mente era podre.
Não a culpo. Em um mundo cuja as aparências valem mais do que meras palavras, sendo a verdade meramente tão cruel a ponto de belas faces, como a dela, serem necessárias para maquiar tanta podridão. Podridão que existe nas ruas, nas esquinas e em cada um de nós.
Nossos olhos não aguentam a realidade.
Ela era a caricatura do mundo, a tela dos nossos dias.
Bela, decadente... e morta.
Mas ela não cheirava a decomposição, cheirava como um perfume barato de rosas. E as rosas não me parecem decompostas, porém falsas... como rosas de plástico que se pode encontrar em qualquer loja de esquina tão falsas quanto cada palavra que saía da boca dela.
A princípio eu não entendia como alguém com tão perfeito semblante, tão angelical, pudesse cuspir palavras tão grotescas. Só depois entendi que a bela carcaça não lhe valia de nada quando a mente era podre.
Não a culpo. Em um mundo cuja as aparências valem mais do que meras palavras, sendo a verdade meramente tão cruel a ponto de belas faces, como a dela, serem necessárias para maquiar tanta podridão. Podridão que existe nas ruas, nas esquinas e em cada um de nós.
Nossos olhos não aguentam a realidade.
Ela era a caricatura do mundo, a tela dos nossos dias.
Bela, decadente... e morta.
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